Bancos centrais que compram ouro: quem mais comprou e por que guardam o metal
Polônia, China, Cazaquistão e Brasil estão entre os bancos centrais que mais compraram ouro. Veja os números do World Gold Council e os motivos citados.

Os bancos centrais não só guardam ouro: nos últimos anos, muitos deles têm comprado mais. Segundo o World Gold Council (WGC), os bancos centrais viraram compradores líquidos de ouro em base anual a partir de 2010, e o ritmo acelerou. Este texto mostra quem mais comprou, quanto e por que os próprios bancos dizem manter ouro nas reservas. É um panorama informativo.
Quanto os bancos centrais compraram
As compras líquidas dos bancos centrais e de outras instituições oficiais, segundo o WGC:
| Período | Compras líquidas (toneladas) |
|---|---|
| Média de 2010 a 2021 | 473 por ano |
| 2024 | 1.092,4 |
| 2025 | 863,3 (queda de 21% sobre 2024) |
Dados: World Gold Council, Gold Demand Trends: Q4 e ano de 2025 (29/01/2026).
O WGC afirma que 2022, 2023 e 2024 ficaram acima de 1.000 toneladas por ano. Na pesquisa anual com bancos centrais, de 2026, a entidade resume assim: nos últimos quatro anos, os bancos acumularam em média 1.000 toneladas por ano, ante uma média de 500 toneladas na década anterior.
Há uma ressalva: o número anual do WGC soma o que foi informado oficialmente e uma estimativa de compras não divulgadas, feita pela consultoria Metals Focus. Em 2025, essa parte não informada correspondeu a 57% do total. As estatísticas mensais do WGC, por sua vez, contam apenas o que os bancos reportam.
Quem mais comprou em 2025
Segundo o WGC, 22 instituições aumentaram suas reservas em cerca de uma tonelada ou mais em 2025, e sete delas responderam pela maior parte das compras. Entre os destaques:
- Polônia (Banco Nacional da Polônia): +102 toneladas, maior compradora pelo segundo ano seguido. As reservas foram a 550 toneladas, 28% do total. O governador, Adam Glapiński, indicou a intenção de chegar a 700 toneladas, por "razões de segurança nacional".
- Cazaquistão: +57 toneladas, o maior volume anual desde 1993, quando começa a série.
- Brasil: +43 toneladas entre setembro e novembro, voltando a comprar depois de 2021. O ouro foi a 172 toneladas.
- Azerbaijão (fundo soberano SOFAZ): +38 toneladas entre o 1º e o 3º trimestres. É o único fundo soberano que divulga publicamente suas reservas de ouro, segundo o WGC.
- China (Banco Popular da China): +27 toneladas, chegando a 2.306 toneladas, quase 9% das reservas.
- Turquia: +27 toneladas (dados até o fim de outubro).
- República Tcheca: +20 toneladas.
Entre os que reduziram as reservas, os principais foram Cingapura (15 toneladas), Rússia (6), Bundesbank (1, para cunhagem de moedas) e Jordânia (1).
E em 2026?
Até agosto de 2026, segundo as estatísticas mensais do WGC (dados até 31/08/2026, quando disponíveis), os bancos centrais reportaram compras de cerca de 170 toneladas no acumulado do ano, sendo 39 toneladas só em agosto:
- Polônia: 98 toneladas no ano, com 648 toneladas no total, perto da meta de 700.
- China: 80 toneladas no ano e 22º mês seguido de compras. O ouro chega a cerca de 2.387 toneladas, 9% das reservas.
- Uzbequistão: perto de 50 toneladas no ano, com 439 toneladas, cerca de 90% das reservas.
- Cazaquistão: perto de 36 toneladas no ano, com 377 toneladas.
- República Tcheca: 14 toneladas no ano, o 42º mês seguido de compras, com 86 toneladas.
Do lado das vendas líquidas no ano, o WGC cita a Turquia, com 82 toneladas (a maior parte no 1º trimestre), e a Rússia, com 56 toneladas; mesmo com a redução, as reservas russas somam 2.271 toneladas no total.
Por que os bancos centrais guardam ouro
Não há uma resposta única, e o que existe vem dos próprios bancos centrais. Na pesquisa Central Bank Gold Reserves Survey 2026 do WGC (76 respostas, de 5 de fevereiro a 19 de maio), os respondentes citaram como fatores para manter ouro o desempenho do ouro em momentos de crise, a diversificação do portfólio e o comportamento do ouro diante da inflação. Como motivos para aumentar a parcela de ouro, apareceram o risco geopolítico e o ouro como parte de uma política de diversificação das reservas. Esses são relatos dos respondentes, não previsões confirmadas. Os demais resultados da pesquisa estão em Por que bancos centrais compram ouro.
Outro dado da pesquisa: para pagar novas compras, metade dos respondentes citou um programa de compras em moeda local e 38%, a venda de outros ativos de reserva.
Onde o ouro dos bancos centrais fica guardado
Na mesma pesquisa, o Banco da Inglaterra é o local de guarda mais citado (57%), seguido do armazenamento no próprio país (49%) e do Banco de Compensações Internacionais (16%). Cresceu o número de bancos que mudaram a localização do ouro: 9% aumentaram o armazenamento doméstico e 10% diversificaram os locais no exterior, ante 5% e 2% na pesquisa anterior.
Um exemplo recente: em 2 de setembro de 2026, o De Nederlandsche Bank, da Holanda, anunciou a transferência de 86 toneladas de ouro de Nova York e Ottawa para Londres, com o objetivo de melhorar a liquidez e a negociabilidade das reservas, segundo o WGC.
O que os números não dizem
- Comprar não é o mesmo que ter muito: o ranking das reservas oficiais é formado ao longo de décadas, e quem mais compra hoje nem sempre é quem mais tem ouro.
- Os preços importam: para o WGC, o valor elevado das reservas em ouro "pareceu levar" a uma postura mais cautelosa em 2025, o que mostra que os bancos centrais "não são insensíveis" à dinâmica de preços, embora o interesse estratégico de longo prazo siga firme (tradução livre).
- Há atraso e lacunas: os dados dependem de cada banco informar ao FMI ou divulgar por conta própria, e há compras que não são divulgadas de imediato.
Em resumo
Os bancos centrais compraram, em média, cerca de 1.000 toneladas por ano nos últimos quatro anos, segundo o WGC, com 863,3 toneladas em 2025. Polônia, Cazaquistão, Brasil, China, Turquia e República Tcheca estiveram entre os maiores compradores do ano, e em 2026 Polônia e China lideram as compras reportadas até agosto. Os motivos citados pelos próprios bancos incluem diversificação das reservas, o desempenho do ouro em crises e o risco geopolítico.
Fontes
- World Gold Council, Gold Demand Trends: Q4 e ano de 2025, seção Central Banks (29/01/2026; dados até 31/12/2025): gold.org
- World Gold Council, Central Bank Gold Reserves Survey 2026 (16/06/2026; pesquisa de 5/02 a 19/05/2026): gold.org
- World Gold Council, Central Bank Gold Statistics, "Central banks continue summer spree in August" (dados até 31/08/2026; fontes: FMI, bancos centrais, WGC): gold.org (PDF: gold.org)


