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Como o ouro é encontrado na natureza: veios, aluviões e pepitas

O ouro aparece na natureza quase sempre em estado nativo. Entenda o que são veios, aluviões e pepitas, e por que ele é raro na crosta terrestre.

Por Redação reau.news · · 4 min de leitura

Garimpeiro com bateia em um rio

Poucos metais aparecem na natureza com a aparência que tem nas joias. O ouro é um deles: muitas vezes, ele surge já como metal, brilhante e amarelo, misturado a rocha ou a areia de rio. Mas "encontrar ouro" na prática é bem mais complicado do que a imagem de uma pepita no chão sugere. Este texto explica as principais formas em que o ouro aparece.

Ouro nativo: o metal que já nasce metal

A maioria dos metais é encontrada combinada com outros elementos, em minerais que precisam ser processados para liberar o metal. O ouro é diferente: segundo a Royal Society of Chemistry (RSC), ele ocorre em estado nativo, ou seja, como metal, o que ajuda a explicar por que foi um dos primeiros materiais trabalhados pelo ser humano. A mesma fonte indica que o ouro é conhecido desde cerca de 3000 a.C.

A explicação química é que o ouro reage muito pouco com outras substâncias. Ele não se oxida nem se corrói com facilidade, então sobrevive intacto por milhões de anos dentro da rocha.

Isso não quer dizer que o ouro encontrado na natureza seja 100% puro. O ouro nativo costuma vir misturado a outros metais, como a prata, em proporções variáveis. Para chegar a teores como o 999 (99,9% de ouro), é preciso refinar.

Um metal raro na crosta

Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), a concentração média de ouro na crosta terrestre é de cerca de 0,004 grama por tonelada, ou seja, aproximadamente 4 miligramas de ouro em cada tonelada de rocha. É muito pouco. Esse valor é uma média: em cada lugar, a concentração real pode ser bem diferente. Em qualquer medida, o ouro é raro e está muito diluído.

Para virar mina, portanto, o ouro precisa estar concentrado de alguma forma pela natureza. É aí que entram os veios e os aluviões.

Veios: o ouro dentro da rocha

Em um depósito primário, o ouro está preso à rocha, geralmente em veios de quartzo, que são fraturas preenchidas por minerais trazidos por fluidos quentes do interior da crosta. O ouro pode estar visível a olho nu, em pequenos pontos brilhantes, ou invisível, disperso em grãos tão finos que só a análise química revela.

Para extrair esse tipo de ouro, é preciso minerar a rocha, triturá-la e separar o metal do restante. É o que acontece nas minas industriais, que respondem pela maior parte do ouro brasileiro: segundo a ANM, cerca de 93% da produção de 2024.

Aluviões: o ouro que o rio carrega

Com o tempo, a chuva e a erosão desfazem as rochas e liberam o ouro dos veios. Os pedaços são arrastados pelos rios. Como o ouro é muito pesado (densidade de 19,3 g/cm³, segundo a RSC, cerca de 1,7 vez a do chumbo), ele se deposita no fundo dos leitos e nas curvas dos rios, enquanto a areia e outros materiais mais leves são levados adiante.

Esses depósitos de sedimento com ouro são chamados de aluviões (ou "placers", em inglês). Foi nesse tipo de depósito que se deram as famosas corridas do ouro, porque o metal se separa naturalmente do resto e pode ser recuperado por bateamento, a técnica da bateia, que a RSC cita como forma de coletar o ouro: a água leva o material leve embora e o ouro, mais pesado, fica no fundo.

Pepitas: quando o ouro se junta

Quando os grãos de ouro se acumulam, ou crescem dentro dos veios, formam-se pepitas: pedaços de ouro nativo que podem ter de poucos miligramas a muitos quilos. As maiores são raríssimas e se tornam peças de museu. A pepita é uma curiosidade, mas não é a forma como a maior parte do ouro é produzida hoje.

O ouro que vem junto com outros metais

Nem todo ouro é procurado como metal principal. O Sumário Mineral da ANM mostra que, em 2024, cerca de 15,5 toneladas do ouro produzido no Brasil estavam contidas em concentrado de cobre. É o ouro que acompanha a mineração de outro metal e é recuperado depois, no refino.

Do campo à bancada

Depois de extraído, o ouro raramente está pronto. Ele passa por separação, fundição e refino, até chegar ao teor desejado e ser transformado em barra, lâmina, pó ou moeda. O pó de ouro, por exemplo, é um formato que lembra os grãos que se encontram em aluviões, só que já com 99,9% de pureza.

Se você tem curiosidade sobre esses formatos, a Morganti's Metais (Joinville, SC) trabalha com refino de metais preciosos e tem o ouro em pó 999. O ouro é vendido exclusivamente pelo WhatsApp (47) 98886-4334, onde a equipe tira dúvidas sobre os formatos.

Em resumo

O ouro aparece na natureza principalmente em estado nativo, dentro de veios de rocha (depósitos primários) e em aluviões, onde rios o concentraram. É muito pouco abundante na crosta (cerca de 4 miligramas por tonelada de rocha, segundo o USGS) e raramente é encontrado puro. Para chegar ao 999, precisa de refino.

Fontes

  • Royal Society of Chemistry — Gold, Periodic Table (estado nativo, densidade, bateamento, 3000 a.C.): periodic-table.rsc.org
  • USGS — Mineral Commodity Profiles: Gold, Open-File Report 02-303 (concentração média na crosta, 0,004 g/t; cita Lide, 1999): pubs.usgs.gov

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