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Espelho de prata: a história de como o vidro passou a refletir

Espelho de prata: por que a prata reflete tão bem, o que Liebig descreveu em 1856 e quanta prata cabe em um metro quadrado de espelho.

Por Redação reau.news · · 4 min de leitura

Espelhos antigos com molduras em uma parede branca

Quando alguém fala em espelho de prata, a expressão tem dois sentidos possíveis: um espelho feito com uma camada de prata sobre vidro, ou aquele brilho espelhado que a própria prata polida tem. As duas ideias se encontram numa história que mistura física, química e muita paciência de laboratório.

Por que a prata reflete tão bem

A Royal Society of Chemistry (RSC), do Reino Unido, descreve a prata como o melhor refletor de luz visível que se conhece, razão pela qual ela é usada em espelhos. Também registra um ponto fraco: a prata perde o brilho devagar ao ar livre, porque forma uma camada escura de sulfeto de prata.

Em termos simples: a superfície polida de prata devolve para os olhos uma fração muito grande da luz que recebe, o que dá ao metal aquele aspecto de espelho. Já o escurecimento aparece quando a prata reage com compostos de enxofre presentes no ar.

O pedido de Steinheil

A história mais bem documentada do espelho de vidro prateado é de 1856. O químico alemão Justus von Liebig, de Munique, publicou nas Annalen der Chemie und Pharmacie um texto intitulado "Sobre a prateação e a douração do vidro". Ele conta que foi levado a fazer o trabalho pelo pedido de seu colega Steinheil, que queria um processo de prateação a frio, capaz de produzir espelhos ópticos sem defeitos.

O método usa uma solução de um sal de prata misturada a um açúcar. Em contato com o vidro, a prata se separa da solução e se deposita na superfície, formando uma película metálica. Segundo a Wikipédia (fonte secundária), a reação é uma variação do chamado reagente de Tollens. Este texto não detalha nem recomenda procedimentos: trata-se de uma reação química que exige conhecimento técnico e cuidados.

O que Liebig observou

Algumas observações do artigo original de 1856 são curiosas:

  • O tempo: a placa de vidro, colocada na solução, aparecia escura em poucos minutos e ficava espelhada depois de cerca de um quarto de hora.
  • A limpeza do vidro: para Liebig, uma das maiores dificuldades era limpar o vidro antes da prateação. Os vidros preparados no ateliê fotográfico do conselheiro Hanfstängl saíam sem defeitos, enquanto os que ele mesmo limpava em seu laboratório costumavam ficar com manchas que mostravam as marcas do pano.
  • As bolhas: a menor bolha de ar aderida ao vidro deixava um pequeno furo na camada de prata.
  • O acabamento: depois de seco, o espelho recebia uma fina camada de verniz incolor, principalmente para proteger a película de danos mecânicos causados pelas mãos.

Quanta prata tem um espelho?

Liebig mediu a quantidade de prata aderida a um espelho: 49 miligramas em uma superfície de 226 centímetros quadrados. Pelo cálculo dele, um espelho de um metro quadrado usaria cerca de 2,2 gramas de prata. É uma camada finíssima.

O interessante é o que acontecia com o resto. Dos 1.170 miligramas de prata contidos na solução usada para os 226 cm², apenas esses 49 mg ficavam no espelho. O restante, segundo o texto, se depositava na solução e nas paredes do recipiente, e precisava ser recolhido e transformado novamente em sal de prata. Liebig ainda admite que, nesse processo, uma perda é inevitável.

Esse reaproveitamento lembra o que acontece no refino: a prata pode ser recuperada e purificada para voltar a ser usada.

E o ouro?

No mesmo artigo, Liebig conta que tentou fazer o equivalente com ouro. Segundo ele, o vidro só pode ser dourado de forma duradoura a quente: as douraduras a frio tinham belo aspecto, mas não aderiam e se soltavam ao lavar. Ele conta que, às vezes, tudo funcionava, mas, quando algum detalhe era esquecido, o esforço era em vão, e por isso duvidava que o processo servisse em escala industrial.

Um espelho para a ciência e para o dia a dia

O artigo de 1856 tinha em vista espelhos ópticos. Segundo a Wikipédia, Steinheil e o francês Léon Foucault introduziram, em 1856–1857, a deposição de uma película finíssima de prata sobre a face frontal do vidro, que substituiu os espelhos de metal em telescópios refletores. Como se trata de fonte secundária, vale tratar o detalhe como referência, e não como dado definitivo.

A prata, o brilho e a Morganti's Metais

O brilho é uma das características mais conhecidas da prata. A Morganti's Metais, de Joinville (SC), trabalha com refino próprio e cunhagem própria, e tem uma linha de produtos em prata 999.

Tem dúvidas sobre prata? Fale com a equipe pelo WhatsApp (47) 98886-4334.

Em resumo

Segundo a RSC, a prata é o melhor refletor de luz visível conhecido. Em 1856, Liebig descreveu um método de prateação a frio para espelhos ópticos e mediu que um metro quadrado de espelho leva cerca de 2,2 g de prata.

Fontes

  • Royal Society of Chemistry — Silver, Periodic Table: periodic-table.rsc.org
  • Justus von Liebig — Ueber Versilberung und Vergoldung von Glas, Annalen der Chemie und Pharmacie, abril de 1856 (reproduzido em Dingler's Polytechnisches Journal, v. 140, 1856): dingler.bbaw.de
  • Wikipédia (em inglês) — Silvering (referência secundária, usada com ressalva): en.wikipedia.org

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