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Lenda de El Dorado: a cidade de ouro existiu?

El Dorado existe? Segundo relatos de cronistas, recolhidos pelo Museu do Ouro da Colômbia, a lenda vem da laguna de Guatavita. Veja a Balsa Muisca.

Por Redação reau.news · · 4 min de leitura

Lago de montanha com neblina ao amanhecer

Um lugar mítico onde tudo seria de ouro. A ideia de El Dorado marcou a imaginação de exploradores por séculos. Mas El Dorado existe? A resposta, segundo o Museu do Ouro de Bogotá, é mais interessante do que um simples sim ou não: ela começa em uma cerimônia real e termina em um mito.

O que os europeus procuravam

De acordo com o Museu do Ouro, mantido pelo Banco de la República, da Colômbia, os europeus que chegaram à América no início do século XVI trouxeram uma obsessão: o ouro, que na Europa era moeda e servia para pagar navios, armas e cavalos. Eles buscavam El Dorado, um lugar mítico onde tudo seria de ouro.

O que encontraram, segundo o museu, foram chefes e caciques indígenas que se adornavam com narigueiras, peitorais e "coroas" de ouro.

Um cacique coberto de ouro

Segundo os relatos dos cronistas recolhidos pelo museu, os europeus ouviram falar de um cacique tão rico que, em vez de usar adornos, cobria o próprio corpo com pó de ouro, metal sagrado para ele, para brilhar como o sol, que simboliza e torna possível a vida. Ao chegarem a Bogotá, entre os muíscas, teriam sabido que o cacique de Guatavita celebrava uma cerimônia assim, coberto de ouro, sobre uma balsa no centro de uma laguna.

Nesse relato, o ponto de partida do mito é uma pessoa, o cacique coberto de ouro, e não uma cidade.

Ninguém viu a cerimônia

Segundo o Museu do Ouro, nenhum conquistador ou aventureiro chegou a presenciar o ritual do cacique banhado em pó de ouro. Mesmo assim, a lenda acompanhou durante séculos a história da laguna de Guatavita.

A balsa de Siecha e a Balsa Muisca

O museu preserva uma peça feita por antigos ourives que representa em detalhe o ritual: a Balsa Muisca. A história de como ela chegou até lá é curiosa:

  • 1856: os irmãos Joaquín e Bernardino Tovar drenaram parcialmente a laguna de Siecha e encontraram uma figura votiva em forma de balsa, que associaram na hora à cerimônia descrita pelos cronistas. Foi ali, e não em Guatavita, que a lenda "ganhou vida", diz o museu.
  • A balsa de Siecha foi vendida a um museu na Alemanha e se destruiu em um incêndio ao chegar ao porto de Bremen.
  • 1969: em Pasca, Cundinamarca, um camponês e seu filho encontraram peças de ouro e cerâmica em uma caverna. O pároco da cidade, o padre Jaime Hincapié Santamaría, comparou com a ilustração da balsa de Siecha e intermediou a aquisição da peça pelo Banco de la República.
  • A Balsa Muisca foi exibida no recém-inaugurado edifício do Museu do Ouro e logo se tornou um emblema nacional, divulgada pelo banco inclusive nas cédulas.

Então, El Dorado existe?

A partir das informações do Museu do Ouro, a resposta é: os relatos dos cronistas falam de uma cerimônia muisca, que nenhum deles presenciou e que a Balsa Muisca representa, mas nenhuma cidade toda de ouro foi encontrada. O que existiu foram objetos de ouro, caciques que se adornavam com ele e rituais ligados ao metal. O museu lembra ainda que, ao saquear o que encontraram, os europeus daquele século não conseguiam enxergar o valor do que estavam destruindo.

O que o mito diz sobre o ouro

Para os muíscas, segundo o museu, o ouro era um metal sagrado, ligado ao sol e à vida. Para os europeus, era dinheiro. Essa diferença de olhar ajuda a entender por que o mesmo metal gerou rituais de um lado e expedições de busca do outro.

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Em resumo

Segundo o Museu do Ouro da Colômbia, a lenda de El Dorado nasceu do relato de um cacique de Guatavita que celebrava uma cerimônia coberto de pó de ouro, sobre uma balsa em uma laguna. Ninguém presenciou o ritual, mas a Balsa Muisca, achada em Pasca em 1969, mostra como ele era representado.

Fontes

  • Banco de la República (Colômbia) — La Balsa muisca y El Dorado, Museo del Oro (atualizado em dezembro de 2025): banrepcultural.org

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