Maiores reservas de ouro do mundo: quanto ainda há no subsolo
Quais países têm as maiores reservas de ouro no subsolo? Ranking do USGS 2026, a diferença entre reserva e recurso e a posição do Brasil.

"Reservas de ouro" é uma expressão que gera confusão, porque pode significar duas coisas bem diferentes: o ouro que ainda está dentro da terra, esperando ser minerado, ou o ouro que bancos centrais guardam em cofres. Este texto trata apenas da primeira: as reservas geológicas, que o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) calcula país a país.
Reserva não é a mesma coisa que recurso
Na terminologia do USGS, reserva é a parte do mineral que, na data da avaliação, pode ser extraída de forma economicamente viável com a tecnologia disponível. Já o recurso é tudo o que se sabe que existe, inclusive o que ainda não compensa tirar. Por isso, as reservas mudam com o tempo: uma descoberta nova, uma tecnologia melhor ou uma mudança nas condições econômicas podem aumentá-las ou reduzi-las.
Também por isso, dois países podem ter muito ouro no subsolo e aparecer em posições diferentes: depende de quanto desse ouro já foi mapeado e avaliado como extraível.
O ranking do USGS (estimativas de 2025)
Segundo o Mineral Commodity Summaries 2026, estas são as reservas de ouro dos países listados, em toneladas:
| Posição | País | Reservas (t) |
|---|---|---|
| 1 | Austrália | 13.000 |
| 2 | Rússia | 12.000 |
| 3 | África do Sul | 5.000 |
| 4 | Indonésia | 3.600 |
| 5 | Canadá | 3.200 |
| 5 | China | 3.200 |
| 7 | Estados Unidos | 3.000 |
| 8 | Brasil | 2.500 |
| 9 | Cazaquistão | 2.300 |
| 10 | Peru | 2.200 |
| 10 | Uzbequistão | 2.200 |
| 12 | México | 1.400 |
| 13 | Gana | 1.000 |
O relatório do USGS (Mineral Commodity Summaries 2026) estima outras 11.000 toneladas em países que não aparecem individualmente, e um total mundial de 66.000 toneladas.
Austrália e Rússia lideram com folga
As duas primeiras posições têm uma distância grande para as demais: Austrália, com 13.000 toneladas, e Rússia, com 12.000. Juntas, elas somam 25.000 toneladas, o que equivale a quase 38% do total mundial estimado.
Há uma nota técnica interessante no relatório: no caso da Austrália, o USGS informa que a parcela das reservas que segue o código australiano de declaração (JORC) é de 4.500 toneladas. A diferença para as 13.000 toneladas mostra que países diferentes usam critérios diferentes de classificação, o que também explica por que comparar números de fontes distintas exige cuidado.
E o Brasil?
O Brasil aparece na 8ª posição, com 2.500 toneladas, segundo o USGS. A Agência Nacional de Mineração (ANM) calcula um número parecido: cerca de 2.400 toneladas, somando 1.160 toneladas de reservas provadas e 1.240 de reservas prováveis (Sumário Mineral 2025, ano-base 2024).
Na América do Sul, entre os países listados pelo USGS, o Brasil (2.500 t) tem mais reservas de ouro do que o Peru (2.200 t). Os demais países sul-americanos não aparecem individualmente no relatório.
Dá para fazer uma conta de "quanto tempo dura"?
Um exercício comum é dividir as reservas mundiais (66.000 t) pela produção anual (3.300 t em 2025, segundo o mesmo relatório). O resultado, 20 anos, é só uma conta de ordem de grandeza. Ele não é uma previsão de que o ouro acabará em duas décadas, por três motivos:
- as reservas são recalculadas todos os anos, e muitas vezes crescem mesmo com a mineração em andamento;
- grande parte do ouro já extraído continua em circulação, em joias, objetos, componentes e barras, e pode ser refinado de novo;
- novos depósitos continuam sendo descobertos e avaliados.
Reservas de bancos centrais: outra história
Quando as manchetes falam em "reservas de ouro" de um país, geralmente se referem ao metal que o banco central mantém em custódia. Esse ouro já foi minerado, refinado e transformado em barras. Ele é contado em outras estatísticas, como as do Conselho Mundial do Ouro, e não tem relação direta com as reservas geológicas deste ranking.
Do subsolo à barra
O ouro que está nas reservas geológicas ainda precisa percorrer um longo caminho: extração, concentração e refino. O refino é a etapa que eleva a pureza do metal até teores como 99,9% (o ouro 999), e é só depois dela que o metal vira barra, lâmina ou moeda.
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Em resumo
As maiores reservas geológicas de ouro, segundo o USGS (2026), estão na Austrália (13.000 t) e na Rússia (12.000 t), seguidas pela África do Sul (5.000 t). O Brasil ocupa a 8ª posição, com 2.500 t. O total mundial estimado é de 66.000 toneladas, número que muda sempre que novos depósitos são avaliados.
Fontes
- USGS — Mineral Commodity Summaries 2026, "Gold" (dados de 2025): pubs.usgs.gov


