Prata tailandesa: de onde vem e por que é famosa
Prata tailandesa: conheça a tradição de Wua Lai, em Chiang Mai, a técnica do repuxado e a origem dos ourives que a criaram.

Quem viaja ao norte da Tailândia ou pesquisa artesanato asiático logo encontra a expressão prata tailandesa. Ela costuma designar objetos feitos à mão, com uma tradição própria de ourives. Este texto conta de onde vem essa tradição, com base em estudos e em fontes de história e cultura local, e sem entrar em valores de peças.
Chiang Mai e o bairro de Wua Lai
O centro mais conhecido da prata artesanal tailandesa é o bairro de Wua Lai, em Chiang Mai, no norte do país. A pesquisadora Pijika Pumketkao-Lecourt, da Escola Francesa do Extremo Oriente, descreve em artigo de 2021 (IIAS) que o bairro é conhecido por suas habilidades de trabalho em prata, herdadas de ourives tai shan que emigraram do vale do rio Salween, no atual estado Shan de Mianmar, para Chiang Mai, antiga capital do Reino de Lanna. Eles se instalaram ao sul da cidade real, do lado de fora das muralhas.
O templo Wat Sri Suphan, conhecido como "Templo de Prata", localizado na Wua Lai Road, conta a mesma história: a prataria do bairro remonta ao reinado do rei Kawila (1799–1804), que reviveu Chiang Mai depois do domínio birmanês convidando ourives tai shan do vale do Salween. Segundo o templo, os artesãos deram ao novo lar o nome "Wua Lai", em referência ao seu lugar de origem. O texto acrescenta que alguns relatos recuam o ofício até o reinado do rei Mengrai.
Uma vila inteira de ourives
Segundo a pesquisadora, na primeira metade do século XX quase todas as casas do bairro tinham a própria oficina de prataria. Os produtos mais comuns eram objetos domésticos e peças de prestígio para rituais e cerimônias, como tigelas de prata (salung) e travessas e bandejas elaboradas.
A partir da década de 1960, Chiang Mai passou a ser promovida como centro de turismo, e Wua Lai foi apresentada como a "Vila da Prata", onde os clientes encontravam os produtores diretamente. Na década de 1990, o ofício declinou, em parte pela criação de um polo de artesanato de exportação em San Kamphaeng, pela concorrência de novos mercados no centro da cidade e pela falta de sucessores nas oficinas.
A técnica do repuxado
Segundo o Templo de Prata, a técnica principal dos artesãos de Wua Lai é o repuxado (repoussé) e o cinzelado (chasing). No repuxado, o desenho é martelado pelo lado de dentro, ou seja, pelo verso do metal. No cinzelado, o desenho é refinado pela frente, criando superfícies em relevo.
O templo descreve ainda as etapas do trabalho: a prata é derretida em um cadinho, o metal fundido é vertido em um molde de argila e depois martelado, a partir de um disco, até chegar à forma desejada. Os padrões tradicionais de Lanna incluem os 12 signos do zodíaco, flores locais e o motivo chamado gon hoy, uma espiral em relevo, parecida com uma concha de caracol, nas pontas da peça.
Outras comunidades do norte
A prata não está só em Chiang Mai. Segundo o resumo de um artigo de 2023 do Kasetsart Journal of Social Sciences, comunidades karen de Lamphun, também no norte do país, produzem objetos de prata, e a atividade está ligada, no estudo, a valores como honestidade e partilha. O resumo não descreve a técnica nem a pureza do material.
Preservação da tradição
Segundo a pesquisadora, em 2017 Chiang Mai foi incluída na Rede de Cidades Criativas da Unesco, em reconhecimento ao artesanato local. O Templo de Prata mantém desde 2007 um museu, o Sala Sip Mu Lanna, que forma jovens monges e outros interessados nas artes tradicionais de Lanna.
Prata de qualquer origem: como saber o teor
A tradição por trás de uma peça diz muito sobre a sua história, mas não diz qual é a sua pureza. Esse é um dado que depende de análise, seja a peça tailandesa, brasileira ou de outro lugar. Segundo a Royal Society of Chemistry (RSC), por exemplo, a prata de lei (sterling) contém 92,5% de prata e o restante é cobre ou outro metal, enquanto a prata 999 tem 99,9%.
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Em resumo
A prata artesanal tailandesa tem como grande referência o bairro de Wua Lai, em Chiang Mai, fundado, segundo as fontes, por ourives tai shan trazidos do vale do Salween no reinado do rei Kawila (1799–1804). Sua técnica principal é o repuxado, e sua história é preservada por museus e iniciativas comunitárias.
Fontes
- Pijika Pumketkao-Lecourt (EFEO), "Collective Actions and Heritage of the Neighborhood: Wua-Lai, Chiang Mai", IIAS Newsletter nº 90 (2021): iias.asia
- Wat Sri Suphan (Silver Temple) — Lanna Silver Craft Heritage: silvertemple.org
- Kasetsart Journal of Social Sciences (2023), "Construction of knowledge space in accordance with the teachings of Khruba Chaiyawongsa Pattana in Karen Community" (apenas resumo, consultado por indexador): doi.org
- Royal Society of Chemistry — Silver, Periodic Table: periodic-table.rsc.org


