Qual é mais raro: ouro ou prata? O que dizem os números
Qual é mais raro: ouro ou prata? Compare a abundância na crosta, a produção mundial e as reservas, com dados da RSC e do USGS.

É uma das perguntas mais comuns sobre metais preciosos: qual é mais raro: ouro ou prata? A resposta depende de como se mede "raro". Neste texto, vamos olhar três medidas objetivas: a abundância na crosta terrestre, a produção anual das minas e as reservas estimadas. Não falamos de preços de nenhum dos dois metais.
Primeira medida: a abundância na crosta
A tabela periódica da Royal Society of Chemistry (RSC), com dados do British Geological Survey, informa a abundância de cada elemento na crosta da Terra, em partes por milhão (ppm), ou seja, o número de átomos do elemento a cada 1 milhão de átomos da crosta:
- Prata: 0,055 ppm;
- Ouro: 0,0013 ppm.
Dividindo um valor pelo outro, há cerca de 42 vezes mais átomos de prata do que de ouro na crosta. Por essa medida, o ouro é o mais raro dos dois.
Atenção: esse número é uma razão de átomos, e não de massa. Em massa, o USGS (Fact Sheet 2014-3078, com dados do CRC Handbook) cita médias na crosta de 0,075 ppm para a prata e 0,004 ppm para o ouro, o que dá cerca de 19 vezes mais prata em massa (conta nossa a partir desses dois valores). A diferença em massa é, portanto, menor do que em número de átomos, mas o ouro continua sendo o mais raro.
Segunda medida: a produção das minas
O relatório Mineral Commodity Summaries 2026, do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), traz estimativas da produção mundial de minas em 2025:
- Ouro: cerca de 3.300 toneladas;
- Prata: cerca de 26.000 toneladas.
A produção de prata é, portanto, de aproximadamente oito vezes a de ouro. Vale lembrar que a produção reflete o que as minas conseguem e decidem extrair, e não é uma medida direta da quantidade do metal existente.
Terceira medida: as reservas
O mesmo relatório estima as reservas mundiais, que são a parte dos recursos que se considera possível extrair:
- Ouro: cerca de 66.000 toneladas;
- Prata: cerca de 610.000 toneladas.
Em reservas, a prata supera o ouro em cerca de nove vezes. As estimativas mudam a cada ano, conforme surgem novas descobertas e revisões. O USGS informa que as reservas de alguns países foram revisadas com base em relatórios de empresas e governos.
Então, qual é mais raro?
Pelas três medidas, o ouro aparece como o mais raro: cerca de oito a nove vezes na produção e nas reservas (em massa) e cerca de 40 vezes em número de átomos na crosta (RSC); em massa, a diferença na crosta é menor (cerca de 19 vezes, pelo USGS). Isso não quer dizer que a prata seja abundante em termos absolutos: 0,075 ppm em massa é uma fração muito pequena da crosta terrestre.
Onde cada metal aparece
Na produção de ouro, o USGS estima, para 2025, que os maiores produtores foram, em ordem de volume, a China (380 toneladas), a Rússia (310), a Austrália (280), o Canadá (200) e Gana (150). Já o Brasil aparece com cerca de 80 toneladas em 2025 e reservas estimadas em 2.500 toneladas.
Somadas, as produções desses cinco países chegam a cerca de 1.320 toneladas, menos da metade do total mundial estimado.
E no Brasil?
Um detalhe curioso aparece quando se compara o ouro com a prata no Brasil. Pelo World Silver Survey 2026, do Silver Institute, o país produziu cerca de 91 toneladas de prata (2,9 milhões de onças) em 2025, número próximo ao das cerca de 80 toneladas de ouro estimadas pelo USGS para o mesmo ano. As fontes são diferentes e as metodologias também, então a comparação serve só como ordem de grandeza.
Raridade não é o mesmo que "mais caro" ou "melhor"
Para quem se interessa por metais, vale separar as ideias. "Raro" é um conceito geológico, que se mede por abundância, produção e reservas. Outras características, como a densidade, o ponto de fusão ou o uso industrial, são independentes. O ouro tem densidade de 19,3 g/cm³ e a prata, de 10,5 g/cm³, por exemplo, segundo a RSC.
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A Morganti's Metais, de Joinville (SC), trabalha com refino próprio e cunhagem própria, e tem uma linha de barras em prata 999. Para ouro, o atendimento é feito exclusivamente pelo WhatsApp: (47) 98886-4334.
Em resumo
Segundo a RSC, há cerca de 42 vezes mais átomos de prata que de ouro na crosta terrestre (0,055 contra 0,0013 por milhão de átomos); em massa, a razão é de cerca de 19 vezes, segundo o USGS (0,075 ppm contra 0,004 ppm). O USGS estima, para 2025, produção mundial de minas de cerca de 3.300 toneladas de ouro e 26.000 de prata, com reservas de 66.000 e 610.000 toneladas.
Fontes
- Royal Society of Chemistry — Silver, Periodic Table (abundância na crosta: 0,055 ppm): periodic-table.rsc.org
- Royal Society of Chemistry — Gold, Periodic Table (abundância na crosta: 0,0013 ppm): periodic-table.rsc.org
- USGS — Fact Sheet 2014-3078 (abundância média na crosta, em massa: ouro 0,004 ppm e prata 0,075 ppm; cita o CRC Handbook): pubs.usgs.gov
- USGS — Mineral Commodity Summaries 2026, Gold: pubs.usgs.gov
- USGS — Mineral Commodity Summaries 2026, Silver: pubs.usgs.gov
- The Silver Institute / Metals Focus — World Silver Survey 2026 (Brasil, 2025): silverinstitute.org


