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Quanto ouro tem no oceano? Por que ninguém extrai de lá

Há ouro na água do mar, mas cerca de 1 g em 100 milhões de toneladas, segundo a NOAA. Entenda por que extraí-lo não compensa.

Por Redação reau.news · · 4 min de leitura

Ondas do oceano com espuma

Os oceanos cobrem a maior parte do planeta e guardam água, sal e uma infinidade de minerais dissolvidos. Entre eles, o ouro. A ideia de que o mar é uma "mina gigante" é antiga, e a pergunta é inevitável: quanto ouro tem no oceano e, se há ouro lá, por que ninguém vai buscá-lo? A resposta está na concentração, e os números mostram bem o problema.

Quanto ouro há na água do mar?

A NOAA, agência oceânica e atmosférica dos Estados Unidos, informa que, em amostras do Atlântico e do Pacífico Norte, existe cerca de 1 grama de ouro para cada 100 milhões de toneladas métricas de água do mar. Ou seja, uma fração mínima da água.

A própria NOAA faz questão de dizer que é difícil saber exatamente quanto ouro existe nos oceanos: o número vem de um estudo e se refere ao Atlântico e ao Pacífico Norte. Mesmo assim, ele dá a escala certa: a concentração do ouro na água é minúscula.

Uma comparação para visualizar

Cem milhões de toneladas de água equivalem ao conteúdo de cerca de 40 mil piscinas olímpicas (cada uma com cerca de 2.500 toneladas de água). Em todo esse volume, o que se encontra, segundo a NOAA, é 1 grama de ouro.

Dito de outro modo: para recuperar o ouro que cabe em uma pequena lâmina de 1 g, seria preciso processar uma quantidade de água que enche dezenas de milhares de piscinas, e remover o ouro dela sem perder nada.

Então por que ninguém extrai?

A resposta da NOAA é direta: hoje não existe um jeito economicamente viável de minerar ou extrair ouro do oceano com lucro. O ouro está dissolvido em concentração baixíssima, e qualquer processo teria de bombear, filtrar e tratar volumes gigantescos de água para recolher quantidades minúsculas de metal.

E o ouro que está no fundo do mar?

A NOAA acrescenta que há também ouro não dissolvido no fundo do mar. Só que o oceano é profundo: os depósitos ficam a uma ou duas milhas de profundidade, ou seja, cerca de 1,6 a 3,2 quilômetros abaixo da superfície. E, ao chegar ao fundo, o ouro está encerrado em rocha, que também precisaria ser minerada. Nas palavras da agência, "não é fácil".

Ouro na crosta, ouro no mar

Para comparar, o USGS (2002) dá à crosta terrestre cerca de 4 miligramas de ouro por tonelada de rocha (0,004 g/t). A água do mar, com 1 grama em 100 milhões de toneladas, tem só 0,00001 miligrama por tonelada (1 g = 1.000 mg; 1.000 mg ÷ 100.000.000 t). Fazendo a conta com os dois números, em massa, a concentração média na crosta é de cerca de 400 mil vezes a da água do mar (4 mg por tonelada dividido por 0,00001 mg por tonelada). É uma comparação de ordem de grandeza, feita a partir de duas fontes diferentes (USGS e NOAA). É por isso que o ouro explorado vem de rochas e sedimentos onde processos geológicos o concentraram muito acima da média, como veios e aluviões.

Uma lição sobre fontes

A NOAA avisa que é "difícil dizer exatamente quanto" ouro há nos oceanos, e o número citado vem de um estudo específico. Em temas assim, a recomendação é sempre desconfiar de afirmações cravadas, como "o mar tem X bilhões em ouro", sem fonte, método e ano. Quando uma concentração é tão baixa, medi-la com precisão é um desafio, e valores totais para todos os oceanos dependem de extrapolações.

O ouro que nós de fato usamos

O ouro que chega às mãos das pessoas, em barras, lâminas e moedas, vem de minas e de reciclagem, e passa por refino até atingir pureza como a do 999 (99,9%). O mar, apesar do que se imagina, não é uma fonte.

A Morganti's Metais, de Joinville (SC), trabalha com refino próprio e cunhagem própria, e a página de refino de metais preciosos conta como o metal é preparado. Para ouro 999, o atendimento é exclusivamente pelo WhatsApp (47) 98886-4334.

Em resumo

Há ouro no oceano, mas em concentração baixíssima: cerca de 1 grama para cada 100 milhões de toneladas de água, segundo a NOAA, algo como 400 mil vezes menos do que os cerca de 4 mg por tonelada da crosta, segundo o USGS. A NOAA informa que hoje não há como extraí-lo do oceano com lucro, nem o ouro que está no fundo, encerrado em rocha.

Fontes

  • NOAA — Is there gold in the ocean? (National Ocean Service): oceanservice.noaa.gov
  • USGS — Mineral Commodity Profiles: Gold, Open-File Report 02-303 (concentração média na crosta, 0,004 g/t; cita Lide, 1999): pubs.usgs.gov

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