Reservas de ouro do Brasil: quanto o Banco Central tem e como isso mudou
O Brasil tem 172,4 toneladas de ouro nas reservas do BC (set/2026). Veja a evolução desde 2001, o peso nas reservas e o que se sabe da guarda.

O Brasil tem ouro guardado, mas ele não está em casas de câmbio nem em minas: faz parte das reservas internacionais, administradas pelo Banco Central (BC). Em setembro de 2026, a série oficial do BC registrava 172,4 toneladas. Neste texto, o foco é o ouro oficial do país, o que o BC mantém como reserva, e não o ouro que ainda está no subsolo nem o que é extraído dos garimpos e minas.
Quanto ouro o Brasil tem hoje
Os números mais recentes do BC (séries do Sistema Gerenciador de Séries Temporais, referência setembro de 2026) mostram:
- Volume: 5.544 mil onças troy, o equivalente a cerca de 172,4 toneladas (uma onça troy corresponde a 31,1035 gramas). O volume está igual desde novembro de 2025.
- Valor: cerca de US$ 23,05 bilhões em setembro de 2026 (eram US$ 24,56 bilhões em agosto). O valor varia todo mês com a cotação do ouro, mesmo que a quantidade não mude.
- Reservas internacionais totais: US$ 362,8 bilhões em setembro de 2026.
Na tabela do World Gold Council (WGC) com dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), edição de outubro de 2026, o Brasil aparece com 172,44 toneladas, ou 6,78% das reservas do país (referência: agosto de 2026), na 28ª posição da lista de países. Esse percentual não é diretamente comparável ao 7,19% do relatório do BC, mostrado mais abaixo: as datas são diferentes (agosto de 2026 e dezembro de 2025) e as bases de cálculo também. O WGC divide o valor do ouro, avaliado pela cotação do LBMA no fim do mês, pelo total das reservas (o ouro mais as demais reservas, estas retiradas do FMI). Com as séries do próprio BC (3552 e 3546), o reau.news calcula 6,59% em agosto de 2026. As fontes abertas consultadas não explicam a diferença de cerca de 0,2 ponto percentual entre esse cálculo e o número do WGC.
Quanto o ouro pesa nas reservas
O Relatório de Gestão das Reservas Internacionais do BC (volume 18, março de 2026) informa a fatia do ouro na alocação das reservas por moedas, no fim de cada ano:
| Fim de | Ouro na alocação por moedas |
|---|---|
| 2016 | 0,70% |
| 2018 | 0,75% |
| 2020 | 1,19% |
| 2021 | 2,25% |
| 2023 | 2,60% |
| 2024 | 3,55% |
| 2025 | 7,19% |
Dados: Banco Central do Brasil, Relatório de Gestão das Reservas Internacionais, vol. 18 (março de 2026), tabela 2.1 (distribuição por moedas, com dados gerenciais; reservas no conceito caixa, dados de fim de período).
No fim de 2025, as reservas somavam US$ 358,23 bilhões (US$ 329,73 bilhões no fim de 2024) e, na alocação por moedas do relatório, a maior parte continuava em dólares: 72,00%, seguido de ouro (7,19%), euro (6,60%) e renminbi chinês (5,94%). O 7,19% é o número publicado pelo relatório, que usa dados gerenciais. Se o valor do ouro nas séries do BC (US$ 23,92 bilhões) for dividido pelo total das reservas (US$ 358,23 bilhões), o resultado é 6,68%, cálculo do reau.news. O relatório não detalha a diferença entre os dois números.
A evolução do ouro do Brasil, em toneladas
A série mensal do BC permite ver como o volume mudou ao longo do tempo:
| Período | Toneladas (aprox.) | O que a série mostra |
|---|---|---|
| Janeiro de 2001 | 61,8 | ponto inicial da série |
| Março de 2001 | 32,0 | queda de cerca de 30 toneladas em dois meses |
| Abril de 2001 a setembro de 2002 | 34 a 35 | recuperação parcial (34,8 em abril) e pequenas oscilações |
| Outubro de 2002 a agosto de 2012 | 33,6 | volume estável |
| Setembro a novembro de 2012 | 33,6 → 67,2 | o volume dobrou |
| Maio a julho de 2021 | 67,4 → 129,6 | alta de 62,3 toneladas |
| 2022 a agosto de 2025 | 129,6 | volume estável |
| Setembro a novembro de 2025 | 129,6 → 172,4 | alta de 42,8 toneladas (+33%) |
| Dezembro de 2025 a setembro de 2026 | 172,4 | volume estável |
Dados: Banco Central do Brasil, séries SGS 3553 (ouro, volume em mil onças troy), convertidas em toneladas pelo reau.news.
Alguns pontos ajudam a ler a tabela:
- 2001: a série registra queda de 61,8 toneladas em janeiro para 32,0 em março e uma recuperação parcial, para 34,8, em abril. Nem a série nem o relatório do BC consultado (cujas tabelas começam em 2016) informam o motivo, e por isso este texto apenas descreve o movimento.
- 2012: foi um ano de aumento: de setembro a novembro, o volume passou de 33,6 para 67,2 toneladas (+33,6). Em junho de 2024, o Observatório da Mineração, com dados do WGC, classificou essa compra como a segunda maior do BC em 22 anos. Depois da compra de 2025, ela passou a ser a terceira maior da série do BC, que começa em 2001, atrás de 2021 e de 2025.
- 2021: foi a maior alta da série do BC, que começa em 2001: 62,3 toneladas (11,9 em maio, 41,8 em junho e 8,5 em julho), de acordo com o Observatório da Mineração e com a série.
- 2025: o WGC registra que o Brasil voltou a comprar ouro depois de quatro anos, com 43 toneladas entre setembro e novembro.
Por que o Banco Central tem ouro
Segundo a Lei 4.595, de 1964, cabe ao BC ser o depositário das reservas oficiais de ouro, de moeda estrangeira e de direitos especiais de saque do país. Quanto ao motivo de manter ouro, o próprio relatório do BC fala em diversificação: em 2025, "atento ao aumento de incertezas econômicas e geopolíticas, e com o intuito de reforçar aspectos de segurança e liquidez", o BC ampliou a diversificação das reservas, com mais ouro, euro e renminbi. Ao Observatório da Mineração, a assessoria do BC afirmou que o ouro tem "características anticíclicas em momentos de estresse".
O BC também informa que o ouro das reservas é adquirido exclusivamente no exterior: ele não compra ouro no mercado interno para formar as reservas.
Onde fica guardado o ouro do Brasil
Essa é uma informação que o BC não divulga. Questionado pelo Observatório da Mineração, o banco disse que a informação sobre as contrapartes está coberta pelo sigilo bancário previsto na Lei Complementar 105, de 2001. O BC informou apenas que a armazenagem e a negociação do ouro das reservas são feitas no mercado externo e que os custodiantes são escolhidos, no caso dos metais preciosos, entre "instituições oficiais (incluindo bancos centrais)". Em setembro de 2026, o BC voltou a não informar a localização, citando razões operacionais e de segurança, segundo o Jornal Correio.
Por isso, não há como afirmar em quais cofres está o ouro brasileiro. Outros bancos centrais são mais transparentes: o Bundesbank, da Alemanha, publica a distribuição do seu ouro por local de guarda.
Reserva oficial não é produção
O ouro das reservas não vem necessariamente das minas brasileiras. O Brasil produz ouro de mina (cerca de 80 toneladas em 2025, em estimativa do Serviço Geológico dos Estados Unidos), mas o BC compra o seu ouro no exterior. São números de naturezas diferentes: produção é o que sai da terra em um ano; reserva oficial é o que o BC mantém em seu balanço.
Em resumo
Em setembro de 2026, o BC registrava 172,4 toneladas de ouro, cerca de US$ 23,05 bilhões. O volume dobrou em 2012, voltou a subir em 2021 e cresceu 33% entre setembro e novembro de 2025. Na alocação por moedas do relatório do BC, a fatia do ouro passou de 3,55% para 7,19% entre o fim de 2024 e o fim de 2025. O BC não informa onde o ouro está guardado.
Fontes
- World Gold Council, Gold Reserves by Country (dados do FMI/IFS, edição de outubro de 2026; Brasil: 172,44 t, 28ª posição, 6,78% das reservas, referência agosto de 2026): gold.org – o download da planilha exigia login. As toneladas e a posição foram conferidas na lista do Goldreporter (edição de setembro de 2026, atualizada em 8/10/2026: Brasil, 28º, 172,40 t): goldreporter.de . O percentual de 6,78% consta apenas na reprodução da The Data Visual (18/10/2026): thedatavisual.com
- World Gold Council, Gold Demand Trends: Q4 e ano de 2025, seção Bancos Centrais (29/01/2026): gold.org
- Deutsche Bundesbank, Goldbestand (distribuição dos locais de guarda, posição em 31/12/2025): bundesbank.de
- USGS, Mineral Commodity Summaries 2026, "Gold" (produção estimada de 2025): pubs.usgs.gov


