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Analistas cortam de novo a previsão para o ouro em 2026, mas veem 2027 mais forte

Pesquisa da Reuters com 30 analistas corta pela 2ª vez a mediana para o ouro em 2026. Platina e paládio também têm projeções revisadas para baixo.

Por Redação reau.news · · 3 min de leitura

Barras de ouro empilhadas sobre fundo escuro

Rendimentos altos dos títulos do Tesouro americano, dólar forte e a expectativa de que os juros fiquem altos por mais tempo levaram analistas a reduzir, pelo segundo trimestre seguido, a projeção para o preço do ouro em 2026. É o que mostra a pesquisa trimestral da Reuters divulgada na terça-feira (27), que ouviu 30 analistas e operadores ao longo das últimas três semanas.

Para 2027, porém, o grupo ficou um pouco mais otimista do que na rodada anterior.

Os números da pesquisa

A mediana das projeções para o ouro em 2026 ficou em US$ 4.495 por onça troy, ante US$ 4.509 na pesquisa de três meses atrás. Para 2027, a mediana subiu de US$ 4.610 para US$ 4.650.

Vale lembrar que a mediana é o valor do meio entre as previsões: metade dos participantes está acima e metade abaixo. Projeções de analistas mudam com frequência e não garantem nenhum resultado.

De onde o ouro veio

Segundo a Reuters, o metal chegou ao recorde de US$ 5.595 por onça em janeiro e depois recuou para a casa dos US$ 4.000. A agência relaciona a queda à guerra envolvendo o Irã, que empurrou para cima o petróleo e o rendimento dos títulos do Tesouro americano, fortaleceu o dólar e reduziu o apelo de um ativo que não paga juros.

O que sustenta o ouro, segundo os analistas

Os entrevistados citam dois apoios principais: as compras dos bancos centrais e a demanda física.

  • Suki Cooper, do banco Standard Chartered, espera que os preços se consolidem e se recuperem nos próximos meses, à medida que o mercado volte a atenção para a desdolarização e a desvalorização das moedas (tradução livre).
  • Rhona O'Connell, da StoneX, avalia que, sem um "cisne negro", os preços tendem a encontrar apoio na melhora gradual da demanda física da Índia e da China. Para ela, as compras contínuas dos bancos centrais mandam ao mercado uma mensagem sobre gestão de risco que pesa mais do que a quantidade de toneladas em si (tradução livre).

Prata: a parte industrial pesa mais

Para a prata, os analistas estimam preço médio de US$ 70,30 por onça em 2026 e de US$ 66,75 em 2027. Segundo a Reuters, o metal estava perto de US$ 53 na publicação da pesquisa, depois de ter marcado recorde de US$ 121,60 em janeiro.

Os motivos apontados para a cautela:

  • a dupla função da prata, metal precioso e insumo industrial, que a deixa mais exposta do que o ouro à expectativa de juros altos por mais tempo;
  • o enfraquecimento da demanda do setor fotovoltaico;
  • a substituição da prata por outros materiais na indústria;
  • o clima cauteloso no mercado depois das fortes oscilações do ano.

"Com o setor solar hoje com excesso de oferta e a inteligência artificial sob pressão, ainda que só no sentimento, a prata deve ter desempenho inferior ao do ouro", disse O'Connell (tradução livre). Ela acrescentou que algum interesse novo começa a aparecer, mas que a forte reversão nos fundos de índice (ETFs) neste ano deixou o mercado com excesso de oferta.

Platina e paládio também revisados

Na mesma rodada, analistas e operadores reduziram as projeções de 2026 para platina e paládio pelo terceiro trimestre consecutivo, informou a Reuters.

Como ler esse tipo de pesquisa

Pesquisas como esta mostram como o mercado está pensando em determinado momento, e não o que vai acontecer. As medianas resumem opiniões que podem variar bastante entre si e costumam ser revistas a cada trimestre, como esta mesma rodada mostra. Nada neste texto é recomendação de compra ou venda.

Fontes

  • Reuters, "Strong dollar, high yields drag on gold outlook, but central-bank demand lends support" (27/10/2026), reproduzido pelo Investing.com: investing.com
  • Reuters, via CNBC, "Gold eases on higher oil prices ahead of Fed decision" (28/10/2026), com a menção às projeções de platina e paládio: cnbc.com

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