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Prata na energia solar: quanto metal vai em cada painel e por que está caindo

A energia solar é o maior consumidor industrial individual de prata. Veja o papel do metal nas células, por que a demanda caiu em 2025 e o efeito do cobre.

Por Redação reau.news ·

Painel solar visto de perto

A prata é conhecida por joias e moedas, mas uma fatia grande do metal que sai das minas acaba em painéis solares. Em cada célula, linhas finíssimas de uma pasta com prata coletam a eletricidade gerada pelo silício. É um uso pequeno por painel e enorme no total, porque o mundo instala milhões de painéis por ano.

Este texto explica quanto da demanda de prata vem da energia solar, por que ela caiu em 2025 mesmo com mais painéis sendo instalados e como a indústria está trocando parte da prata por cobre. Os dados vêm do World Silver Survey 2026 (Silver Institute, com dados da Metals Focus) e do USGS. Não há previsão de preço neste texto.

O papel da prata na célula solar

A prata é o metal de maior condutividade elétrica entre os usados na indústria. Na célula fotovoltaica, ela aparece em pastas que formam os contatos, as "trilhas" que levam a corrente para fora da célula. O World Silver Survey trata o setor solar como o maior consumidor industrial individual de prata, contado dentro do grupo elétrico e eletrônico (449,5 Moz em 2025).

A cadeia é simples de acompanhar: quanto mais painéis forem produzidos e quanto mais prata cada célula levar, maior a demanda. O segundo fator, a quantidade por célula, é justamente o que a indústria vem reduzindo.

Os números de 2025

  • Demanda fotovoltaica: 186,6 milhões de onças (Moz) em 2025, queda de 6% sobre 2024. Em 2020, eram 82,8 Moz, e em 2024 chegaram a 197,5 Moz, ou seja, mais que dobraram em quatro anos.
  • Peso no total: a fotovoltaica foi cerca de 28% da demanda industrial (657,4 Moz) e cerca de 16,5% da demanda total de prata (1.130,6 Moz).
  • Nos EUA, o USGS estima que a energia solar tenha respondido por 15% dos usos domésticos de prata em 2025.

Em outras palavras: a energia solar impulsionou a demanda de prata de 2020 a 2024 e, em 2025, deixou de empurrá-la para cima.

Por que a demanda caiu em 2025

O relatório aponta duas causas combinadas: redução de uso por célula (em inglês, thrifting) e substituição de prata por outros materiais. A prata chegou a representar de 8% a 10% do custo de uma célula no início de 2025 e passou de 20% depois da alta de preços, o que deu ao setor um forte motivo para economizar o metal. O relatório estima que a quantidade de prata por unidade caiu mais de 15% ao ano, o suficiente para superar a expansão da capacidade instalada.

O que a indústria fez

  • Impressão mais fina. Técnicas como impressão por estêncil e transferência de padrão permitem linhas mais estreitas.
  • Menos trilhas coletoras. Os projetos "zero busbar" reduzem as linhas largas de prata.
  • Prata com cobre. Pastas de cobre revestido de prata, usadas em células do tipo HJT e já chegando às TOPCon, reduzem o teor. Segundo o relatório, no quarto trimestre de 2025 pastas com só 10% de prata entraram em produção em grande volume.
  • Eficiência maior. A eficiência dos módulos produzidos em massa passou de 25% em 2025, o que ajudou a reduzir o custo da eletricidade gerada em 3% a 8% e compensou parte do encarecimento da prata.

O que vem pela frente, segundo a fonte

O relatório descreve expectativas, que não são garantias:

  • A China pode entrar em 2026 num período de "ajuste estrutural" do mercado solar, com instalações possivelmente registrando a primeira queda anual em duas décadas.
  • A redução de prata por célula deve continuar, algo entre 15% e 20% a mais em 2026.
  • A galvanoplastia de cobre pode levar o uso de prata a menos de 1 mg por watt, mas a produção em massa da pasta de cobre puro ainda enfrenta problemas de rendimento e confiabilidade e é improvável neste ano.
  • Pela expectativa dos autores, a média de prata nas células deve cair abaixo de 5 mg/W até 2027.
  • A demanda de prata do setor elétrico e eletrônico como um todo deve cair cerca de 10% em 2026, segundo o texto do relatório (a tabela de projeção traz −6%).

O relatório também diz que a prata continuará essencial em aplicações de alta confiabilidade, como aeroespacial, energia solar em alto-mar e células de alta eficiência.

O que isso significa para quem acompanha o mercado

  • A energia solar não é um motor só de alta. O mesmo setor que dobrou a demanda em 2020–2024 passou a reduzir o consumo por unidade.
  • O preço do metal influencia a tecnologia. Quando a prata encarece, a indústria troca, o que atenua a demanda.
  • Há outros usos industriais. Eletrônicos, data centers e soldas também usam prata; veja prata em eletrônicos, ligas e soldas e para que serve a prata.

Nada disso diz para onde o preço vai. Essas são tendências de consumo industrial, não indicação de compra nem de venda.

Perguntas frequentes

Quanto de prata tem um painel solar?

Depende do projeto da célula e muda de ano para ano. O relatório fala em redução de mais de 15% por unidade em 2025 e em média abaixo de 5 mg por watt esperada até 2027, mas não dá um número fixo por painel.

O cobre vai substituir a prata?

Há substituição parcial em andamento, como as pastas de cobre revestido de prata. A substituição total ainda enfrenta barreiras técnicas, segundo o relatório.

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Fontes

  • Silver Institute / Metals Focus, "World Silver Survey 2026" (15/04/2026), capítulo 7: silverinstitute.org
  • U.S. Geological Survey, "Mineral Commodity Summaries 2026: Silver": pubs.usgs.gov

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