Ciclo do ouro no Brasil: o que foi e como o ouro era controlado
O ciclo do ouro no Brasil teve auge no século XVIII, com o quinto e as casas de fundição. Veja como o ouro era controlado, segundo o Banco Central.

O ciclo do ouro é um dos capítulos mais conhecidos da história do Brasil colonial. Quando se fala nele, vêm à cabeça as minas, as barras e os impostos cobrados pela Coroa portuguesa. Neste texto, a ideia é olhar para o lado do metal e do dinheiro: como o ouro era controlado, que moedas ele gerou e o que o acervo do Museu de Valores do Banco Central conta sobre o período.
O que foi o ciclo do ouro
Chamamos de ciclo do ouro o período em que a produção de ouro foi a atividade econômica mais destacada da colônia. Segundo o guia do Museu de Valores do Banco Central, na segunda década do século XVIII a produção de ouro no Brasil foi abundante. O mesmo guia descreve esse momento como o auge do ouro no Brasil e sua influência na cunhagem de moedas.
O quinto: o controle da Coroa
O guia do Museu de Valores explica que Portugal fiscalizava com rigor a produção de ouro do Brasil e cobrava um imposto chamado "o quinto". O nome vem da proporção: uma parte em cada cinco.
O ouro, depois de pago o quinto, era transformado em barras marcadas com o selo real, que circulavam como dinheiro. É por isso que o museu chama esse metal de ouro "quintado": ele já havia passado pelo controle da Coroa.
As casas de fundição
As barras eram produzidas nas Casas de Fundição. O museu guarda um documento que acompanhava essas barras, aceito como moeda no comércio local. Em outras palavras: o ouro em barra, com selo e documento, funcionava como uma forma de dinheiro.
Esse sistema ajuda a entender uma característica do período: a circulação de pó de ouro e barras convivia com moedas cunhadas. Em 1808, segundo o guia, foi criado um documento para pagar o ouro em pó, que era aceito como moeda em toda a região de Minas Gerais.
Moedas do período
O acervo do museu mostra também as moedas ligadas à época:
- a primeira casa de cunhagem do Brasil foi instalada na Bahia, em 1694, e dela saiu a "pataca", cunhada em 1695, em Salvador;
- entre as moedas de ouro, uma peça de 53,78 g é apontada como a de maior peso em ouro que circulou à época;
- uma moeda de ouro de 20.000 réis foi cunhada no Brasil para circular em Portugal;
- o vintém de ouro, já no período do Reino Unido, era uma moeda cunhada para circular só em Minas Gerais, no lugar dos bilhetes de permuta do ouro em pó. O nome vem do vintém, uma medida de peso igual a 112 miligramas de ouro.
O fim do auge
Segundo o guia, com a escassez de ouro foram lançados, em 1810, pelo Banco do Brasil os primeiros bilhetes bancários do país, precursores das cédulas atuais. Já no Império, havia menos moedas de ouro e de prata em circulação, e o papel-moeda foi ganhando a confiança da população. O museu resume esse período como de "menos produção do ouro" e cédulas ganhando espaço.
Do metal bruto ao ouro refinado
O ouro do ciclo passava por fundição e era transformado em barras marcadas. Hoje o ouro chega à pureza de 99,9% por meio do refino. A Sala Ouro do Museu de Valores, segundo o guia, mostra como o ouro é encontrado na natureza, equipamentos usados no tratamento do metal e o processo de refino.
A Morganti's Metais, de Joinville (SC), trabalha com refino próprio e cunhagem própria; saiba mais na página de refino de metais preciosos. O atendimento para ouro 999 é feito exclusivamente pelo WhatsApp (47) 98886-4334.
Em resumo
O ciclo do ouro teve auge, segundo o Museu de Valores do Banco Central, na segunda década do século XVIII. A Coroa portuguesa cobrava o quinto e o ouro virava barras marcadas com selo real nas Casas de Fundição. O museu guarda moedas e documentos que contam como o metal funcionava como dinheiro.


