Setor público tem déficit de R$ 5,5 bilhões em setembro, e dívida bruta fica em 82,9% do PIB
O Banco Central mostra déficit primário menor que o de 2025, mas juros de R$ 107,5 bi no mês e dívida bruta no maior nível desde 2021.

O setor público consolidado, que reúne governo central, estados, municípios e estatais (sem Petrobras, Eletrobras e bancos públicos), fechou setembro com déficit primário de R$ 5,5 bilhões. O dado foi divulgado pelo Banco Central nesta quinta-feira (29). Um ano antes, em setembro de 2025, o rombo havia sido de R$ 17,5 bilhões.
O resultado primário é a diferença entre o que o governo arrecada e o que gasta, sem contar os juros da dívida.
Quem ficou no vermelho
Segundo o Banco Central, o governo central (Tesouro, Banco Central e INSS) teve superávit de R$ 3,5 bilhões. Estados e municípios registraram déficit de R$ 5,6 bilhões, e as estatais, de R$ 3,4 bilhões. Em 12 meses, o déficit acumulado chegou a R$ 70,1 bilhões, ou 0,52% do PIB.
O número veio pior do que o mercado esperava. A pesquisa Projeções Broadcast tinha mediana de superávit de R$ 2,7 bilhões, e a estimativa mais pessimista era de déficit de R$ 600 milhões. Ainda assim, segundo o Broadcast, foi o melhor resultado para setembro desde 2022.
O peso dos juros
A conta de juros pesa muito mais que o resultado primário. Em setembro, os juros nominais somaram R$ 107,5 bilhões, contra R$ 84,7 bilhões no mesmo mês de 2025. Em 12 meses, chegaram a R$ 1,205 trilhão, ou 8,99% do PIB, de acordo com o Banco Central.
Somando juros e resultado primário, o déficit nominal foi de R$ 113 bilhões no mês. Em 12 meses, alcançou R$ 1,275 trilhão, o equivalente a 9,51% do PIB.
Dívida no maior nível desde 2021
A dívida bruta do governo geral ficou em R$ 11,1 trilhões, ou 82,9% do PIB, o mesmo percentual de agosto. Segundo O Globo, é o maior nível desde março de 2021. A dívida líquida do setor público subiu 0,7 ponto no mês e chegou a 70% do PIB (R$ 9,4 trilhões), recorde na série do Banco Central iniciada em dezembro de 2001, de acordo com a Folha.
A Folha também informou que, segundo o Banco Central, cada ponto percentual de corte na Selic mantido por 12 meses reduziria a dívida bruta em R$ 64,9 bilhões. Para entender por que a dívida pública importa, veja nosso texto sobre dívida pública e impressão de dinheiro.


