Moeda 960 réis: a história do patacão, a prata da corte no Brasil
A moeda 960 réis, o patacão, nasceu da necessidade de recunhar moedas de 8 reales em 1809. Veja peso, teor e casas de cunhagem.

A moeda 960 réis, conhecida como patacão, é uma das mais lembradas da numismática brasileira. Feita de prata, tem uma origem pouco comum: não nasceu de metal novo, e sim de moedas que já existiam. Esta é a história dela, contada a partir de duas fontes: o Museu de Valores do Banco Central e o Museu Histórico Numismático (NUMIS).
O contexto: a Família Real chega ao Brasil
Segundo o roteiro do Museu de Valores do Banco Central do Brasil, a vinda da Família Real portuguesa, em 1808, aumentou as despesas do país. Uma das alternativas para fazer frente a elas foi carimbar moedas que já existiam com um valor superior ao original.
O museu mostra, em seu acervo, um exemplar de uma moeda de 750 réis carimbada com o valor de 960 réis, que na época foi chamada de patacão. O patacão cunhado em prata, de que trata o resto do texto, é outra etapa: a criação data de 1809, segundo o NUMIS, que explica que essas moedas surgiram principalmente para atender às necessidades financeiras da corte portuguesa, transferida para o Brasil em 1808, em razão da proximidade da invasão de Portugal pelas tropas de Napoleão.
De onde vem o nome
De acordo com o NUMIS, a palavra "patacão" vem de "pataca", termo usado para as moedas portuguesas de 320 réis. Como 960 é o triplo de 320, o patacão equivalia a três patacas. A pataca, uma moeda diferente (a primeira cunhada no Brasil, em Salvador, em 1695), aparece no texto sobre o ciclo do ouro no Brasil.
Recunhadas sobre outras moedas
A característica mais curiosa dessa moeda é que ela era um recunho: foi cunhada sobre outras moedas. O NUMIS informa que as bases eram, predominantemente, moedas de 8 reales das colônias espanholas na América. Também são conhecidos exemplares recunhados sobre moedas napoleônicas, austríacas e americanas, além de moedas das repúblicas latino-americanas recém-criadas.
Em outras palavras, a prata que circulou como patacão veio, em boa parte, de moedas estrangeiras que já circulavam por aqui.
Dados principais
Segundo o NUMIS, o patacão brasileiro tem as seguintes características:
- valor de face: 960 réis;
- metal: prata, com pureza de 896 a 903 partes por mil, ou seja, em torno de 90%;
- peso: 27,07 gramas;
- criação: 20 de novembro de 1809, quando apenas ensaios foram cunhados;
- cunhagem regular: de 1810 a 1834;
- onde: casas da moeda do Rio de Janeiro, da Bahia e de Minas Gerais.
Com esses números, pode-se calcular que cada moeda continha em torno de 24 gramas de prata (27,07 g × 0,90). É uma conta aproximada, feita a partir dos dados do NUMIS.
Continuou no Império
O Museu de Valores lembra que o patacão, em prata, continuou sendo cunhado com as Armas do Império, já depois da Independência. Segundo o NUMIS, existem patacões da Colônia, do Reino Unido, do Império de Dom Pedro I e do Império de Dom Pedro II, com letras que indicam a casa de cunhagem: R (Rio de Janeiro), B (Bahia) e M (Minas Gerais).
Ainda segundo o NUMIS, o patacão antecedeu a decimalização do século XIX e foi cunhado até 1834. Não confunda com a pataca de 320 réis: o Museu de Valores informa que, em 1833, a série dos cruzados substituiu as tradicionais patacas, e isso se refere a essa moeda menor, não ao patacão.
Variantes: nenhuma moeda é igual à outra
O NUMIS explica que o processo de cunhagem era mecânico, mas os cunhos, isto é, as matrizes dos dois lados da moeda, eram abertos à mão. Por isso, era praticamente impossível que um cunho fosse igual ao outro. Pesquisadores catalogaram uma grande quantidade de variantes dos patacões das casas da moeda do Rio de Janeiro e da Bahia, e o número não pode ser considerado definitivo: de vez em quando aparece uma nova combinação de cunhos.
Para identificar essas diferenças, o próprio NUMIS recomenda observar detalhes como a perolagem da coroa e as partes da esfera armilar, com bom aumento ótico.
Uma moeda que conta a história do país
Poucas moedas mostram tão bem como a história política mexeu com o dinheiro. O patacão nasceu de uma necessidade da corte, usou prata que já circulava e atravessou da Colônia ao Império.
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Em resumo
O patacão de 960 réis foi criado em 1809 e cunhado de 1810 a 1834, em prata de 896 a 903 partes por mil, com 27,07 g, sobre moedas que já circulavam, principalmente de 8 reales espanhóis.


