Ouro comestível: o que é e o que a Anvisa permite
A folha de ouro comestível é ouro de verdade, regulado como aditivo INS 175. Veja o que a Anvisa permite e como ele difere do glitter e do pó dourado.

Folhas douradas sobre bolos, bombons e sobremesas viraram sinal de requinte em confeitarias e restaurantes. Mas a pergunta aparece sempre: aquilo é ouro mesmo? A resposta, segundo a regulamentação brasileira, é sim, com uma condição importante: nem tudo o que brilha dourado em um doce é ouro. Este texto explica o lado regulatório, o que a Anvisa autoriza e como diferenciar uma folha de ouro de outros produtos.
Vale avisar: aqui não tratamos de efeitos no organismo. O foco é o que a regra permite e como o produto é definido.
O ouro como aditivo alimentar
No Brasil, o ouro usado para decoração em alimentos é considerado aditivo alimentar, que aparece na lista da Anvisa pelo código INS 175 (na Europa, E 175). Segundo a reportagem do GZH, de 12 de novembro de 2025, que ouviu a Anvisa, a Instrução Normativa nº 211/2023 autoriza o uso do ouro em confeitos apenas para tratamento de superfície, ou seja, como decoração por fora, e não misturado à massa ou ao recheio.
A mesma matéria explica que a RDC nº 778/2023 determina que os aditivos sigam padrões reconhecidos por órgãos internacionais. Para o ouro como corante de superfície, a Anvisa indica duas referências: o Food Chemicals Codex (FCC), da farmacopeia americana, e a União Europeia. Nessas normas, o ouro permitido é o que aparece em folhas finas, compostas basicamente por metal puro, que se desfazem ao toque.
Por que a folha é tão fina
Isso só é possível por causa de uma característica do ouro: ele é extremamente maleável. A Royal Society of Chemistry (RSC) informa que 1 grama de ouro pode ser batido até formar uma folha de 1 metro quadrado. Por isso, uma folha para decoração de alimentos tem muito pouco metal por unidade.
A RSC também diz que o ouro não corrói, o que explica por que a folha mantém o brilho sem alterar de cor sobre o doce.
Uso limitado, e para decoração
Ainda segundo a reportagem, a Anvisa descreve a autorização como "bem delimitada e para produtos de consumo ocasional". Ou seja, o ouro não é um ingrediente de uso livre: é um aditivo com condição específica, e a autorização vale para o tratamento de superfície.
A confusão com o "pó dourado" e o glitter
Em novembro de 2025, a Anvisa suspendeu quatro marcas de glitter e pós decorativos anunciados ou sugeridos para uso em alimentos. Segundo o comunicado do órgão, os produtos tinham material plástico e eram anunciados ou sugeridos como ingrediente de alimentos. Em uma das marcas, que vendia "pó de ouro" e "floco de ouro", a Anvisa apontou ainda um ingrediente não identificado, descrito no rótulo como "metal de transição laminado atômico 99".
Isso mostra um ponto importante: "dourado" não quer dizer "ouro". A Anvisa lembra que plásticos, como o polipropileno (PP) micronizado, o PET e o PMMA, não são autorizados em alimentos, e que o acetato de polivinila, usado em colas e tintas, também é proibido. Esses materiais só são permitidos em objetos decorativos não comestíveis. A medida de novembro de 2025 atingiu esses glitters; o ouro como aditivo segue tratado pela IN nº 211/2023, nas condições descritas acima.
Como se orientar ao ler um rótulo
Algumas dicas que decorrem da regulamentação:
- Procure o código INS 175 ou E 175 na lista de ingredientes, que identifica o ouro como aditivo.
- Leia sempre o rótulo, como recomenda a própria Anvisa, e desconfie de "pó" ou "glitter" sem lista clara de ingredientes.
- Lembre que a folha é decorativa: o produto é pensado para uso por cima de confeitos, em quantidade pequena.
- Consulte a Anvisa em caso de dúvida: o portal do órgão tem um painel com os aditivos autorizados e suas condições de uso.
Ouro comestível é o mesmo ouro das barras?
Quimicamente, o metal é o mesmo: o elemento ouro, de símbolo Au. A diferença está na forma (folha fina, de uso decorativo) e no padrão que o aditivo precisa atender. As barras, lâminas e moedas de ouro 999 não são produtos alimentícios e não devem ser usadas como tal.
Onde entra a Morganti's
A Morganti's Metais, de Joinville (SC), trabalha com ouro e prata 999 para uso em barras, lâminas, moedas e outros formatos, com refino próprio e cunhagem própria. Os produtos da empresa não são vendidos como aditivo alimentar. Quem quer conhecer os formatos pode ver a linha de ouro; a venda de ouro é feita exclusivamente pelo WhatsApp (47) 98886-4334.
Em resumo
O ouro comestível é ouro de verdade, classificado como aditivo INS 175 e autorizado pela Anvisa (IN nº 211/2023) em confeitos apenas para tratamento de superfície. Não deve ser confundido com glitter e pós dourados, alguns deles suspensos pela Anvisa em novembro de 2025 por conterem plástico.
Fontes
- Royal Society of Chemistry — Gold, Periodic Table: periodic-table.rsc.org


