Potosí, a montanha de prata que financiou um império
Potosí, a montanha de prata da Bolívia, foi no século XVI o maior complexo industrial do mundo, segundo a UNESCO. Veja como a prata era extraída.

No sul da Bolívia, a mais de 4.000 metros de altitude, uma montanha de cor avermelhada domina a cidade de Potosí. O Cerro Rico, "montanha rica", é o cenário da história mais famosa da prata nas Américas. Potosí, a montanha de prata, aparece nos livros de história por um motivo: no século XVI, segundo a UNESCO, a região era considerada o maior complexo industrial do mundo.
De povoado a "Cidade Imperial"
A UNESCO descreve Potosí, antes da chegada dos espanhóis, como um pequeno povoado isolado nos Andes bolivianos. Entre 1542 e 1545, foram descobertos no Cerro de Potosí os maiores veios de prata do Novo Mundo, e a região prosperou. Em 1572, com a visita de Francisco de Toledo, a cidade se tornou uma "Cidade Imperial".
Segundo a UNESCO, Potosí foi a grande fornecedora de prata da Espanha no período colonial, e a chegada em massa de metais preciosos a Sevilha provocou uma enxurrada de moeda espanhola e mudanças econômicas de alcance mundial no século XVI.
Como a prata era extraída e refinada
De acordo com a UNESCO, o Cerro de Potosí atingiu a plena capacidade de produção depois de 1580, com a adoção do método conhecido como patio, desenvolvido no Peru. Ele dependia de moinhos hidráulicos e de amalgamação com mercúrio:
- a infraestrutura incluía 22 lagunas ou reservatórios, de onde a água era conduzida para mover 140 engenhos (moinhos) que moíam o minério;
- o minério moído era amalgamado com mercúrio em fornos de barro refratário, chamados huayras;
- a prata era moldada em barras e marcada com o selo da Casa Real de Moeda, antes de seguir para a Espanha.
A UNESCO destaca que toda a cadeia, da mina à casa de cunhagem colonial, está conservada: barragens, aquedutos, centros de moagem e fornos. A Casa de la Moneda, reconstruída em 1759, ainda existe.
O custo humano
A mesma fonte registra que, no século XVII, viviam em Potosí cerca de 160.000 colonos e 13.500 indígenas, obrigados a trabalhar nas minas pelo sistema da mita, o trabalho compulsório. O contexto social também ficou marcado na cidade, onde a zona espanhola e a zona indígena eram separadas por um rio artificial.
É uma parte difícil da história, e vale lembrá-la ao falar da prata colonial: o metal que circulou pelo mundo foi extraído em condições de grande desigualdade.
Uma montanha que continua sendo explorada
A UNESCO afirma que a atividade em Potosí diminuiu bastante depois de 1800, mas continua até hoje. A região tem cerca de 5.000 operações mineiras históricas espalhadas pelo altiplano e pelos vales, sendo o complexo da Mina Real o maior e mais bem conservado.
O Cerro Rico também mostra o efeito do tempo: segundo a UNESCO, séculos de mineração deixaram a montanha porosa e instável, e partes do topo desabaram. A cidade foi inscrita na lista da UNESCO em 1987 e consta, desde 2014, na Lista de Bens em Perigo.
O legado na arquitetura
O trabalho da prata também deixou marcas na arte. A UNESCO cita o "barroco andino", estilo que incorporou influências indígenas e se espalhou pela região central dos Andes a partir de Potosí, com 22 igrejas paroquiais ou monásticas, a torre da Companhia de Jesus e a catedral.
E a prata de hoje?
O método do patio, com mercúrio, é parte da história. Hoje, o refino de prata acontece em processos controlados que permitem chegar a níveis de pureza como o 999. A Morganti's Metais, de Joinville (SC), trabalha com refino próprio e cunhagem própria, e tem réplicas de moedas históricas em prata 999, que contam um pouco dessa história em formato de peça. Para tirar dúvidas, é só chamar no WhatsApp (47) 98886-4334.
Em resumo
Segundo a UNESCO, Potosí foi o maior complexo industrial do mundo no século XVI, com 22 reservatórios e 140 engenhos movendo a moagem do minério, e prata amalgamada com mercúrio. A cidade é inscrita desde 1987 e está na lista de bens em perigo desde 2014.
Fontes
- UNESCO — City of Potosí (World Heritage List, ref. 420; inscrita em 1987): whc.unesco.org


