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Índia e China no mercado de prata: dois gigantes com papéis diferentes

A Índia compra prata em joias, barras e fundos; a China consome em fábricas. Entenda os dois maiores atores do mercado com dados de 2025.

Por Redação reau.news ·

Globo antigo mostrando a Ásia

Quando se pergunta quem manda no mercado de prata, duas respostas aparecem com frequência: Índia e China. Só que elas fazem coisas bem diferentes com o metal. A Índia é, antes de tudo, uma compradora de prata em joias, utensílios, barras e fundos. A China é, principalmente, uma consumidora industrial, ligada a eletrônicos e painéis solares.

Este texto compara os dois países com os dados de 2025 do World Silver Survey 2026 (Silver Institute, com dados da Metals Focus). É uma explicação de mercado. Não há previsão de preço nem recomendação financeira.

A Índia: joias, barras e uma regra de importação

Quanto a Índia importou

A Índia importou 232,2 milhões de onças (Moz) de prata em 2025, queda de 6% sobre 2024, o menor volume em dois anos. O número caiu pouco apesar de a prata, em rupias, ter ficado 46% mais cara na média do ano. O relatório atribui essa resistência à forte procura por barras, moedas e fundos.

Mais da metade das importações chegou nos últimos quatro meses de 2025, impulsionada pelas festas e pela procura por prata física. Os prêmios locais chegaram a até 15% acima do custo de importação, e mais de 65% da prata chegou por avião, em vez de navio.

O papel da tarifa de importação

Em julho de 2024, a Índia cortou a tarifa de importação de prata de 15% para 6%. Segundo o relatório, a mudança tornou a rota via Emirados Árabes (que usava um acordo comercial entre os dois países) pouco lucrativa de um dia para o outro. Em 2025, Reino Unido e Hong Kong responderam por 40% e 30% das importações indianas. A prata em grãos caiu de 38% para 8% do total, e as barras somaram 90% do que chegou.

Nos dois primeiros meses de 2026, a Índia importou 40,6 Moz, 25% acima da média dos dez anos anteriores. Só em janeiro foram 24 Moz, porque comerciantes se anteciparam a um possível aumento de tarifa no orçamento de fevereiro, que não veio.

Joias, utensílios, barras e fundos

A joalheria indiana usou 70,3 Moz em 2025, queda de 20%. A prataria (utensílios e itens de mesa) usou 27,6 Moz, queda de 25%. Em compensação, a compra de barras e moedas subiu 33%, para 79,2 Moz, e os fundos de prata somaram mais 68,3 Moz, num total recorde de 147,6 Moz entre as duas formas. A demanda industrial indiana ficou em 38,1 Moz, queda de 10% e o menor valor desde 2021.

O relatório menciona ainda o crescimento da infraestrutura elétrica indiana (capacidade de geração elétrica de 520,5 GW, alta de 12%) e da produção de eletrônicos, como fatores de médio prazo para o uso industrial.

A China: fábricas, eletrônicos e energia solar

O peso da indústria chinesa

A demanda industrial da China somou 282,9 Moz em 2025, cerca de 43% dos 657,4 Moz do mundo todo. No setor elétrico e eletrônico, a China e Hong Kong usaram 221,8 Moz, cerca de metade dos 449,5 Moz globais. Em comparação, os EUA ficaram com 125,5 Moz de demanda industrial.

Energia solar sob pressão

O relatório afirma que o mercado solar chinês deve entrar em 2026 em um período de "ajuste estrutural", com instalações podendo registrar a primeira queda anual em duas décadas. Ele também descreve a redução da quantidade de prata por célula, com pastas de prata e cobre e novos processos de impressão. Esse tema é desenvolvido em prata na energia solar.

Produção e compra de barras e moedas

A China também é uma das maiores produtoras de prata de mina: o World Silver Survey registra 3.509 toneladas em 2025, e o USGS estima 3.400 t, o terceiro lugar do mundo, atrás de México e Peru. A compra de prata física no país mais que dobriu em 2025, para 11,9 Moz, mas partiu de uma base pequena: 5,5 Moz em 2024. A joalheria chinesa usou 16,2 Moz.

Lado a lado

Item (2025) Índia China
Joalheria 70,3 Moz (−20%) 16,2 Moz
Indústria 38,1 Moz (−10%) 282,9 Moz
Barras e moedas 79,2 Moz (+33%) 11,9 Moz (+115%)
Papel principal Compra de prata para joias e para guardar Consumo industrial

O que essa comparação mostra

  • Dois motores diferentes. A Índia reage a preço local, festas, joias e tarifa. A China reage ao ciclo industrial e à indústria solar e de eletrônicos.
  • O mesmo preço mundial pode ter efeito oposto. Em 2025, preços altos foram acompanhados de queda de joalheria na Índia e de alta da compra de barras e fundos.
  • Políticas de comércio contam. Uma mudança de tarifa pode desviar rotas e fazer o volume importado variar muito de um mês para o outro.

O que a comparação não mostra é o futuro. Os dados são de 2025 e do início de 2026, e podem mudar em semanas. Para conhecer os fatores que mexeram no mercado no ano, veja o que moveu o preço da prata em 2025.

Perguntas frequentes

Quem consome mais prata, Índia ou China?

Na indústria, a China, com 282,9 Moz contra 38,1 Moz da Índia. Em joalheria, a Índia, com 70,3 Moz contra 16,2 Moz da China.

Por que a Índia importa tanta prata?

O país tem forte tradição de joias e utensílios de prata e, em 2025, ampliou a compra de barras, moedas e fundos. Além disso, o relatório mostra que o país produz pouca prata de mina em relação ao consumo: 628 toneladas em 2025.

O que mudou em 2024 na importação indiana?

A tarifa caiu de 15% para 6% em julho de 2024. Isso mudou de onde a prata chega e em qual formato.

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Fontes

  • Silver Institute / Metals Focus, "World Silver Survey 2026" (15/04/2026), capítulos 3, 4, 6 e 7: silverinstitute.org
  • U.S. Geological Survey, "Mineral Commodity Summaries 2026: Silver": pubs.usgs.gov

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